Celso Niskier
Educador
O Brasil enfrenta muitos desafios, entre eles o de resolver o crônico problema do analfabetismo, permitindo a inclusão dos menos favorecidos no mundo da cultura e das letras.
O objetivo deve ser sempre o de formar cidadãos críticos e conscientes da nossa realidade, e não uma legião de analfabetos funcionais, que apenas escrevem mecanicamente seus nomes, sem pensar. O ingresso no mundo da cultura deve ser pela porta da frente.
Para isso, temos de pensar adiante, na chamada ''inclusão digital'': inserir nossos jovens e adultos no mundo da cultura cibernética, no qual o uso da tecnologia é um fator de desenvolvimento e de integração entre os povos. É uma reivindicação legítima, de qualquer brasileiro em qualquer região, o acesso aos instrumentos que abrem a porta para o mundo do conhecimento.
A verdadeira alfabetização digital envolve cinco tipos de competências, consideradas básicas para a sobrevivência na selva da internet: aprender a manipular símbolos, aprender a colaborar, aprender a usar a informação, aprender a resolver problemas e aprender a aprender.
A manipulação de símbolos é uma necessidade da era do conhecimento, na qual os mais valorizados ofícios são de natureza intelectual. Todos envolvem interpretações, julgamentos e conceitos abstratos, que devem fazer parte de qualquer programa básico de alfabetização digital. Uma forma de desenvolver essa capacidade é o uso de editores de texto, que podem ser ensinados desde o ensino fundamental.
A colaboração, seja presencialmente ou a distância, é essencial nos dias de hoje, e pode ser ensinada através das ferramentas de comunicação disponíveis na internet, como o e-mail e os grupos de discussão. Realizar trabalhos em grupo, na escola ou em casa, pode ser um bom caminho para incentivar a aprendizagem cooperativa.
Em um mundo onde há tanta informação e pouca sabedoria, também faz parte do kit de sobrevivência a capacidade de usar bem a informação, selecionando o que é importante para a tomada de decisões. Nos jovens, tal habilidade pode ser estimulada através da construção de pequenos bancos de dados, usando recursos simples existentes em qualquer máquina. Saber construir um conjunto de dados sobre determinado assunto, selecionando o que é importante, já é um avanço enorme no mundo atual.
Para resolver problemas, dos mais simples aos mais complexos, o aluno deve saber formular um modelo. Por exemplo, muitos problemas reais de matemática podem ser equacionados através de planilhas eletrônicas. Por que não usá-las no programa de alfabetização digital que estamos propondo?
Por fim, saber navegar na internet, buscando novas fontes de conhecimento, é uma habilidade fundamental, já que todos temos de estar em constante aprendizagem, sob risco de perdermos o bonde da evolução tecnológica.
Um programa de alfabetização digital centrado nessas cinco competências está ao alcance de qualquer educador que se disponha a servir como agente de transformação da nossa realidade, ajudando a incluir crianças e jovens no mundo digital.
O mundo do trabalho, cada vez mais restrito, competitivo e globalizado, agradece.
[02/OUT/2003]
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/opiniao/2003/10/01/joropi20031001002.html
Um comentário:
Para haver a alfabetização digital precisa haver um elo entre professor e aluno para que haja uma aprendizagem.
Os educadores precisam estar dispostos para esse desafio.
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